Muita gente acredita que existe uma “folguinha” no radar e que ultrapassar o limite em até 10 km/h não gera multa. Mas será que isso é verdade ou apenas mais um mito do trânsito brasileiro? Neste artigo, vamos explicar de forma simples como funciona a tolerância dos radares, o que a lei realmente permite, quais são as margens legais aplicadas e por que confiar nesse “desconto” pode sair caro. Se você dirige achando que 10 km/h a mais não dá nada, é melhor ler até o fim.
O mito da tolerância de 10 km/h
A frase é clássica: “Pode passar até 10 km/h que o radar não multa”. Ela circula em grupos de WhatsApp, rodas de amigos e até em conversas com motoristas experientes. O problema é que essa ideia está meio certa e meio errada — e é justamente aí que mora o perigo.
Não existe na lei um artigo dizendo que o motorista pode ultrapassar o limite em 10 km/h sem punição. O que existe é uma margem técnica de erro do equipamento, e isso é bem diferente de permissão legal para acelerar.
Como funciona a margem legal do radar
O que o radar mede de verdade?
Os radares não registram automaticamente a velocidade que aparece no painel do carro. Eles medem a velocidade do veículo e, antes de gerar a multa, aplicam um desconto obrigatório, previsto em norma do Inmetro e adotado pelo CTB.
Essa regra existe porque nenhum equipamento de medição é 100% perfeito. Então, para evitar injustiças, a lei exige que seja aplicada uma margem de segurança.
Qual é a margem aplicada hoje?
De forma simplificada, funciona assim:
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Velocidades até 100 km/h:
👉 Desconto de 7 km/h no valor medido pelo radar -
Velocidades acima de 100 km/h:
👉 Desconto de 7% sobre a velocidade registrada
Ou seja, se o radar marcou 67 km/h em uma via de 60 km/h, ele vai descontar 7 km/h e considerar 60 km/h cravado. Nesse caso, não há multa.
Mas perceba: isso não significa que você podia estar a 67 km/h. Foi apenas um ajuste técnico.
Então passar 10 km/h acima dá multa?
Na prática, quase sempre sim
Vamos a um exemplo comum:
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Limite da via: 60 km/h
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Velocidade real do carro: 70 km/h
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Radar registra: 70 km/h
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Desconto obrigatório: 7 km/h
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Velocidade considerada: 63 km/h
Resultado? Multa, porque ultrapassou o limite em até 20%.
Nesse cenário, o motorista recebe uma infração média, com:
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4 pontos na CNH
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Multa de valor intermediário
Ou seja: passou 10 km/h acima achando que estava “de boa” e acabou penalizado.
Tipos de multa por excesso de velocidade
Até 20% acima do limite
Essa é a mais comum e onde muita gente cai achando que a tolerância salva.
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Infração: média
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Pontos: 4
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Multa: valor médio
Entre 20% e 50% acima do limite
Aqui o risco já começa a pesar mais no bolso e na CNH.
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Infração: grave
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Pontos: 5
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Multa maior
Acima de 50% do limite
Essa é pesada e muita gente não percebe quando acontece, principalmente em rodovias.
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Infração: gravíssima
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Multa multiplicada por 3
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Suspensão direta da CNH
Por que confiar na “tolerância” é perigoso
Velocímetro do carro não é 100% preciso
O painel do seu carro também tem margem de erro. Em muitos casos, ele marca menos do que a velocidade real. Ou seja, você acha que está a 68 km/h, mas pode estar a 72 km/h na prática.
Cada radar é um radar
Não existe um “padrão invisível” que garante segurança. Se o radar estiver bem calibrado, dentro da lei, a multa vem sem discussão.
A tolerância não é um direito do motorista
Isso é importante reforçar: a margem é técnica, não um benefício. O agente de trânsito não escolhe aplicar ou não. Ela já vem embutida no sistema.
O que o CTB realmente espera do motorista
O Código de Trânsito Brasileiro é claro: o condutor deve respeitar o limite sinalizado na via, considerando as condições do local, do clima e do tráfego.
Inclusive, o excesso de velocidade é um dos fatores que mais contribuem para acidentes graves, principalmente em áreas urbanas.
Se quiser conferir a base legal, vale a leitura do próprio Código de Trânsito Brasileiro, disponível no site oficial do governo:
👉 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm
Outro bom material explicativo sobre multa por excesso de velocidade pode ser encontrado em portais educativos de trânsito e órgãos oficiais, como o Detran.
Dica final: como não cair nessa armadilha
Regra simples para o dia a dia
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Viu a placa? Respeite o número exato
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Não confie em “desconto do radar”
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Use o velocímetro com margem de segurança pra menos, não pra mais
No fim das contas, aquela pressa de alguns segundos pode virar multa, pontos na CNH e dor de cabeça depois.
Conclusão: 10 km/h fazem diferença sim
Passar 10 km/h acima pode dar multa, sim — e na maioria das situações dá. A tal tolerância não é um passe livre, mas apenas um ajuste técnico do equipamento. Quem dirige contando com isso está apostando contra a lei e contra a própria sorte.
Se a ideia é economizar, chegar inteiro e evitar problemas, o melhor caminho continua sendo o mais simples: respeitar o limite da via 🚦

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