👉 Mito ou Verdade?
Muita gente acredita que a tolerância do radar é um “favor” dado ao motorista, algo opcional, quase uma gentileza do sistema de trânsito. Mas será que isso é verdade mesmo? Neste artigo, vamos esclarecer de forma simples e direta como funciona a tolerância dos radares, o que a lei realmente diz, por que ela não é um benefício concedido ao condutor e como esse mito pode acabar gerando multas inesperadas. Se você acha que o radar “alivia” porque quer, é hora de entender a verdade por trás disso.
De onde surgiu esse mito da “boa vontade do radar”?
Conversa de rua que virou verdade absoluta
Assim como muitos mitos do trânsito, essa ideia nasceu da observação prática. O motorista passa um pouco acima do limite, não recebe multa e conclui:
👉 “O radar relevou.”
Com o tempo, isso vira regra informal. O problema é que o sistema não funciona assim. O radar não decide nada, não interpreta contexto e muito menos “faz favor”.
O radar não pensa, não escolhe e não perdoa
O equipamento apenas mede a velocidade e aplica regras técnicas obrigatórias antes de gerar qualquer autuação. Se os critérios forem atendidos, a multa é emitida. Se não forem, ela não existe — simples assim.
O que a lei realmente diz sobre tolerância de radar
A tolerância não está no CTB como benefício
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não diz em nenhum momento que o motorista tem direito a ultrapassar o limite de velocidade. Pelo contrário: ele deixa claro que o limite deve ser respeitado conforme a sinalização da via.
Você pode conferir isso diretamente na legislação oficial:
👉 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm
Ou seja, legalmente falando, andar acima do limite já é infração.
Então por que existe a tal tolerância?
A tolerância existe por um único motivo: limitação técnica dos equipamentos de medição.
Nenhum radar é absolutamente perfeito. Por isso, normas do Inmetro exigem que seja aplicado um desconto padrão antes de qualquer penalidade, garantindo que ninguém seja multado por erro do aparelho.
Como funciona a margem técnica do radar
Desconto obrigatório, não opcional
A margem aplicada ao radar é obrigatória, não depende de agente de trânsito, prefeitura ou Detran. Ela vem embutida no sistema.
Funciona assim:
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Velocidades até 100 km/h
👉 desconto fixo de 7 km/h -
Velocidades acima de 100 km/h
👉 desconto de 7% sobre a velocidade medida
Depois desse desconto, é que se verifica se houve ou não infração.
Exemplo prático do dia a dia
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Limite da via: 60 km/h
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Radar registra: 66 km/h
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Desconto técnico: 7 km/h
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Velocidade considerada: 59 km/h
Resultado? Sem multa.
Mas isso não significa que você estava “dentro da lei”. Apenas que, após o ajuste técnico, não foi possível comprovar a infração.
Então é mito ou verdade que a tolerância é um favor?
👉 É MITO
A tolerância não é um favor, nem um benefício, nem uma escolha do sistema.
Ela é uma exigência técnica e legal, criada para proteger o cidadão contra possíveis erros de medição.
O motorista não tem direito a andar acima do limite contando com isso.
Por que esse mito é perigoso?
Pequenas diferenças geram multa
Muita gente dirige pensando:
👉 “Vou passar só um pouquinho acima.”
Mas esquece de três fatores importantes:
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O velocímetro do carro também tem erro
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A via pode ter variação de limite
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O radar aplica o desconto antes, não depois
Resultado: o motorista acha que está seguro, mas a multa chega.
Radar não “alivia” ninguém
Se após o desconto técnico a velocidade ainda estiver acima do limite, a infração será registrada automaticamente. Não existe análise humana nesse processo.
Tipos de multa por excesso de velocidade
Até 20% acima do limite
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Infração: média
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Pontos: 4
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Multa moderada
Entre 20% e 50%
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Infração: grave
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Pontos: 5
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Multa mais pesada
Acima de 50%
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Infração: gravíssima
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Multa multiplicada por 3
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Suspensão direta da CNH
Tudo isso pode começar com a falsa sensação de que “o radar dá uma margem”.
O que o motorista consciente deve fazer
Regra simples que evita dor de cabeça
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Respeite o limite exato da placa
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Não dirija contando com tolerância
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Use a margem para segurança, não para velocidade
Se você quer se aprofundar no tema tolerância de radar e multa por excesso de velocidade, materiais educativos de órgãos oficiais e Detrans ajudam bastante a entender como o sistema funciona de verdade.
Conclusão: tolerância não é gentileza
A tolerância do radar não é um favor, não é um bônus e não é um direito do motorista.
Ela existe apenas para corrigir limitações técnicas dos equipamentos e garantir justiça na fiscalização.
Dirigir contando com isso é apostar contra a lei — e, geralmente, perder.
No trânsito, o melhor atalho continua sendo o mais óbvio: respeitar o limite da via 🚦

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